A maioria das espécies de aranhas se alimenta de insetos e outros artrópodes. É por isso que alguns de nós somos relutantes em matar as aranhas que encontramos em casa – nós pensamos que elas vão comer os bichos que realmente não queremos ao redor. Mas um novo estudo revela que a dieta das aranhas é muito mais diversificada do que aprendemos. As aranhas são insetívoras, claro, mas muitas também têm um gosto para as plantas.

Apenas uma espécie de aranha é conhecida por ser completamente vegetariana. As aranhas saltadoras do México (Bagheera kiplingisobrevivem principalmente em pedaços de árvores de acácia. E enquanto os cientistas ainda tentam encontrar qualquer outra espécie totalmente vegetariana, aranhas comedoras de partes de plantas parecem ser muito comum, particularmente entre as aranhas saltadoras e as aranhas que fazem teias ao ar livre.

A dieta das aranhas pode ser muito mais complexa do que você imagina
Uma fêmea de Maevia inclemens bebendo seiva de um arbusto. Os cientistas têm descoberto dezenas de espécies de aranhas que se alimentam de partes de plantas.

Martin Nyffeler da Universidade de Basel, na Suíça, e colegas coletaram informações de livros e artigos avaliando aranhas que consumem material vegetal. Há evidências de mais de 60 espécies de aranhas que se alimentam de plantas, representando 10 famílias de todos os continentes, a equipe relatou em abril na revista Journal of Arachnology.

Talvez os cientistas do passado possam ser perdoados, tendo em vista que as aranhas não podem comer material sólido. A reputação das aranhas é a de que elas sugam os sucos digestivos que inserem em suas presas, mas isso não é a descrição correta. Em vez disso, uma aranha cobre suas presas com os sucos digestivos, mastiga a carne com a sua quelíceras e depois suga os sucos. Este estilo de alimentação significa, porém, que as aranhas não podem simplesmente cortar um pedaço de folha ou de frutas e ingerir.

Algumas aranhas alimentam-se de folhas, as digerindo com enzimas antes da ingestão (semelhante ao que fazem com as presas artrópodes) ou espetam os talos das folhas com suas quelíceras e sugam a seiva da planta. Outras, como a vegetariana Bagheera kiplingi, bebem o néctar de nectários encontrados em plantas ou em suas flores. Mais de 30 espécies de aranhas saltadoras se alimentam de néctar, os pesquisadores descobriram.

“Durante a alimentação, as aranhas foram vistos empurrando seus aparelhos bucais profundamente em flores para beber o néctar, semelhante à maneira como se alimentam os insetos que são especialistas em beber néctar”, escrevem os pesquisadores. E este não é um comportamento acidental – algumas aranhas podem se alimentar de 60 a 80 flores em uma hora.

O pólen é provavelmente uma outra fonte de alimento à base de planta comum para as aranhas, especialmente para aquelas que fazem teias ao ar livre. Isso porque as aranhas comem suas teias antigas para reciclar as proteínas. E quando elas comem suas teias, elas comem qualquer coisa que possa ser capturada nas vertentes pegajosas, tais como o pólen ricos em calorias. Elas podem também pode estar consumindo pequenas sementes e esporos de fungos (embora este último pode ser uma refeição arriscada, pois há muitos fungos cujos esporos podem matar as aranhas).

Os pesquisadores também descobriram alguns casos de aranhas que comem intencionalmente pólen e sementes, e eles também notaram que muitas aranhas comiam material vegetal quando predavam insetos herbívoros. Ainda não se sabe quão comum é o hábito de comer partes de plantas entre as aranhas, mas este hábito pode ser ainda mais comum do que pensamos, especialmente entre as espécies que criam teias ao ar livre.

“A capacidade das aranhas para derivar nutrientes a partir de materiais vegetais é a ampliação da base alimentar desses animais”, diz Nyffeler. “Isso pode ser um dos vários mecanismos de sobrevivência que ajudam as aranhas a permanecerem vivas durante os períodos em que insetos são presas escassas.”

E com os relatos de aranhas comendo um menu inteiro de outros alimentos, incluindo crustáceos, minhocas e pequenos vertebrados no meio natural, além de salsichas e leite de soja no laboratório – é claro que temos de chamá-las de outra coisa que não insetívoras.

Fonte: Science News l Spider diet goes way beyond insects

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Guellity Marcel
Biólogo de vida selvagem, mestre em Ecologia e Conservação e apaixonado por ciência e tecnologia. Tem interesse em ecologia de populações, ecologia do movimento, ecologia de paisagem e efeitos de mudanças climáticas na biodiversidade, especialmente em áreas úmidas. Atualmente trabalha com mamíferos de médio e grande porte (cervo, veado-campeiro, veado-mateiro, queixada) e jacarés em parceria com pesquisadores da Embrapa Pantanal.

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