Uma nova análise revela que a temperatura ideal para a propagação de doenças transmitidas por mosquitos como a dengue, chikungunya e zika é de 29 graus celsius. Esta descoberta ajuda a prever surtos de doença em um mundo em aquecimento.

Trabalhadores no Equador lançando insecticida para matar os mosquitos Aedes aegypti, que transmitem dengue, chikungunya e zika. Cientistas de Stanford estão investigando temperaturas que promovem maior atividade dos mosquitos.

À medida que as temperaturas aumentam com as mudanças climáticas, o período de reprodução dos mosquitos se estende além dos meses de verão em muitas partes do mundo. A questão central dos estudos tem sido como esse período prolongado influencia o risco de ser infectado por doenças como dengue, chikungunya e Zika.

Agora, em um artigo publicado na PLoS One sobre doenças tropicais, os pesquisadores de Stanford modelaram como o aumento das temperaturas pode influenciar o comportamento dos mosquitos e aumentar o risco das doenças em todo o mundo. Os pesquisadores também calibraram seu modelo com dados de campo sobre infecções humanas de doenças transmitidas por mosquitos.

“As epidemias de dengue têm aumentado nas últimas duas décadas, então houve um esforço crescente tentando entender por que estamos vendo mais dengue e qual é a relação entre a transmissão da dengue e o clima”, disse Erin Mordecai, autora principal do estudo.

A temperatura ideal

A temperatura controla vários fatores que estão subjacentes ao tempo que leva para que um vírus seja transmissível aos seres humanos. Estes incluem quanto tempo leva para um mosquito contrair o vírus durante a alimentação e, em seguida, estar pronto para transmití-lo em uma alimentação posterior, bem como a duração do ciclo de vida do mosquito e quantas vezes se alimentam.

“Todas essas características dependem da temperatura, mas tendem a ser não-lineares”, disse Mordecai. “Eles aumentam até um ponto e depois caem.” O grupo descobriu que mosquitos favoráveis ​​à propagação das doenças atingiram o pico quando as temperaturas atingiram cerca de 29 graus Celsius, mas eram mais baixos quando as temperaturas eram mais frias ou mais quentes.

Quando Mordecai olhou para a transmissão da dengue, chikungunya e Zika nas pessoas, esses resultados correspondem ao que seus modelos previram. Ela diz que graficamente é visível como as taxas de transmissão mudam com a temperatura, formando curva em forma de sino com pico nos 29 graus C.

Previsão de surtos futuros

Conhecer a temperatura ideal para a transmissão da doença é fundamental para prever as taxas futuras dessas doenças, disse Mordecai. Antes deste estudo, ela disse, havia uma ampla gama de previsões de temperatura de outros pesquisadores.

As informações também podem ajudar a prever como e onde a doença pode se espalhar com a mudança climática. “Nós realmente queremos construir modelos mais preditivos que tomem informações climáticas e façam previsões sobre quando e onde podemos investir no controle de vetores para tentar prevenir epidemias”, disse Mordecai.

Esse tipo de planejamento é especialmente importante em países com níveis socioeconômicos mais baixos. “Regiões de concentrada pobreza urbana são os locais onde há grande foco de doenças transmitidas por vetores”, disse Mordecai. Ela explicou que o mosquito que transmite a dengue, chikungunya e zika é um oportunista – ele irá reproduzir em qualquer recipiente de água que encontrar, de tampas de garrafa à cáixas d’água.

“Você tende a ver muitas pessoas expostas aos mosquitos em lugares onde o acesso à água canalizada não é confiável, enquanto armazenam água em caixas d’água.”

Mordecai sabe que há mais trabalho a ser feito com doenças transmitidas por mosquitos. “Há muita discussão sobre qual vai ser a próxima doença. Qual é o próximo Zika?” Ela disse que esse modelo ajudará os pesquisadores a prever quando e onde a transmissão do próximo zika pode acontecer – e permitir tempo suficiente para que os governos se preparem para o evento.

Fonte: ScienceDaily.

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Guellity Marcel
Biólogo de vida selvagem, mestre em Ecologia e Conservação e apaixonado por ciência e tecnologia. Tem interesse em ecologia de populações, ecologia do movimento, ecologia de paisagem e efeitos de mudanças climáticas na biodiversidade, especialmente em áreas úmidas. Atualmente trabalha com mamíferos de médio e grande porte (cervo, veado-campeiro, veado-mateiro, queixada) e jacarés em parceria com pesquisadores da Embrapa Pantanal.