Quando pensamos em organismos dominantes, automaticamente nossa espécie vem em mente. Entretanto, uma forma de vida comprovadamente mais adaptável, indestrutível e espantosamente diversificada nos tira esse título muito rapidamente: as bactérias.

As bactérias do gênero Wolbachia são um exemplo muito interessante da dominância imperceptível desses microrganismos. Abundantes e extremamente engenhosas, essas bactérias vivem nas células de cerca de 60% de todos os insetos e outros artrópodes, como as aranhas e os ácaros.

Elas são transmitidas de um indivíduo ao outro através dos óvulos das fêmeas hospedeiras, e por isso conseguem manipular esses organismos para aumentar suas próprias chances de sobrevivência. Isso inclui táticas como induzir mudanças para transformar em fêmeas os machos de borboletas, cupins e crustáceos, por exemplo.

Essas bactérias também conseguem fazer alterações nos cromossomos de abelhas e formigas para que elas consigam se reproduzir sem a necessidade de um macho. Elas ainda são capazes de matar embriões machos em espécies onde existe muita competição por recursos entre filhotes.

“Pela maneira como manipulam e alteram seus hospedeiros, as Wolbachia podem ter sido o principal motor de mudanças evolucionárias em muitas espécies”, afirma John Werren, professor de biologia da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos.

Não é de se espantar que essa bactéria seja uma forte candidata ao posto de ser vivo mais dominante do mundo.

Fonte: BBC.

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Guellity Marcel

Biólogo de vida selvagem, mestre em Ecologia e Conservação e apaixonado por ciência e tecnologia. Tem interesse em ecologia de populações, ecologia do movimento, ecologia de paisagem e efeitos de mudanças climáticas na biodiversidade, especialmente em áreas úmidas. Atualmente trabalha com mamíferos de médio e grande porte (cervo, veado-campeiro, veado-mateiro, queixada) e jacarés em parceria com pesquisadores da Embrapa Pantanal.