História

Desde o início da história do Brasil, com a chegada dos portugueses em 1500, as fibras do cânhamo (maconha) eram utilizadas na construções de caravelas, mas segundo os documentos oficiais do governo brasileiro a planta do gênero Cannabis, foi introduzida pelos escravos em 1945.

Com o passar dos anos e seu uso não-médico da planta pelos escravos, passou a ser utilizada também pelos índios brasileiros, que passaram a cultiva-lá para consumo. Nessa época a planta era apenas utilizada pela camada socioeconômica menos favorecida, não chamando a atenção dos brancos. Porém há relatos de que enquanto a rainha Carlota Joaquina aqui estava, tinha o hábito de tomar um chá feito com a planta.

No início do século 20, vários países criaram leis proibindo o consumo e o comércio da Cannabis, entre eles: África do Sul, Jamaica (na época colônia inglesa), Reino Unido, Nova Zelândia, Brasil e principalmente, os Estados Unidos.

Botânica

A Cannabis sativa pertence à família Moreaceae, mais conhecida como (cânhamo da Índia pertencente à ordem das urticales e da família das cabináceaes. É uma planta dióica (macho e femêa), nas fêmeas são encontradas maiores quantidades de canabinóides do que na planta macho.

As substancias psicoativas, os canabinóides, estão localizadas por toda a planta, o seu principal princípio ativo é o Delta-9-tetra-hidrocannabinol (THC). A sua concentração varia dependendo da localização na planta. As flores, as folhas secas e os talos apresentam uma concentração entre 1% a 5% de THC. A resina (o haxixe), produzida pelas glândulas das vilosidades apresentam uma concentração de 5% a 10%, já o óleo resultante da extração da resina contem uma alta concentração de THC de 50%.

Química dos canabinóides

É constituída por aproximadamente  400  compostos químicos, entre açucares, hidrocarbonetos, aminoácidos, esteroides entre outros, A estrutura química dos canabinóides é constituída por uma base carbonada de 21 átomos de carbono, formada por três anéis, um cicloexano (anel A) um tetrahidropirano (anel B) e um benzeno (anel C).

Os quarto canabinóides mais abundantes são: o Delta-9-tetra-hidrocanabinol (D9-THC), o canabinol (CBN), o canabidiol (CBD) e o Delta-8-tetra-hidrocanabinol (D8-THC), cujas percentagens são: entre 0,0014-2,106% para o D9-THC, 0,00002-0,035% para o CBN e 0,003-2,96 para o CBD.

O D9 -THC é o canabinóide com maior potência psicoativa. este canabinóide é um composto não cristalino de elevada lipofilia, o que lhe facilita a adsorção no organismo e consequentemente uma maior rapidez de ação.

Estrutura dos quatro canabinóides mais representativos da cannabis sativa.

O CBN possui menos atividade psicoativas que D9-THC. Este canabinóide tem maior afinidade para o receptor CB2 (receptor periférico dos canabinóides) do que para o receptor CB1 (receptor do Sistema Nervoso Central). Este fato explica a sua participação no sistema imune.

O CBD é um canabinóide que não possui ação psicoativa, contudo, existem estudos que descrevem a sua capacidade neuroprotetora com poder antioxidante contra os radicais livres de oxigênio, produzidos nos neurônios por libertação excessiva de glutamato. Outros estudos referem a sua capacidade anti-inflamatória, sobre o sistema imune e anticonvulsivo.

Já o D8-THC aparece somente em algumas variedades de plantas da Cannabis, e apresenta um pequeno poder psicoativo e um elevado efeito antiemético.

Liberação

Após a liberação do uso dos derivados da maconha, o THC (Tetra-hidrocanabinol) e o CBN (Canabinol), por vias judiciais para o auxílio e tratamento de doenças crônicas, recentemente a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) incluiu a Cannabis sativa em sua lista de plantas medicinais.

A maconha foi registrada como parte da Denominação Comum Brasileira (DCB), uma lista que inclui os nomes oficiais de princípios farmacológicos. Para que fabricantes registrem novos medicamentos, as substâncias que os compõem precisam fazer parte dessa lista.

THC e seu uso medicinal

O THC e seus isômeros derivados  encontrados na maconha se mostram, muitas vezes, a única alternativa para o tratamento de pacientes com doenças crônicas e terminais, nas quais sempre tendem a aparecer em conjunto com a dor e sofrimento.

Seguindo raciocínio e pesquisas criadas por Francisco Alejandro Horne (2006) em seu artigo Aspectos sociais e medicinais da cannabis no mundo contemporâneo, a maconha pode ser utilizada em diversos tratamentos médicos. Algumas das características terapêuticas são:

A primeira a ser destacada é a analgesia, que ameniza dores agudas decorrentes dos sintomas ou tratamento de doenças crônicas, das quais podemos citar: a) Epilepsia; b) Esclerose Lateral Amiotrófica e; c) Doença de Cronh. Além desta propriedade, podemos citar também o alívio nas náuseas e vômitos decorrentes de tratamentos contra o câncer, nas quais os pacientes que utilizavam o THC tinham uma notável melhora na diminuição destes sintomas.

Ainda no que se refere às propriedades terapêuticas da substância Delta-9-THC, pode-se citar também o tratamento de distúrbios psiquiátricos, tais como Estresse e a insônia. Isso se deve ao fato do THC auxiliar no relaxamento corporal, aliviando possíveis tensões que venham a existir.

Existem estudos que sugerem que o THC por via oral (15 mg) diminui em média 30% a pressão intra-ocular (PIO), este efeito pode ser muito útil no desenvolvimento de fármacos para o glaucoma.

Fontes:

> A Cannabis e suas aplicações terapêuticas
> Uso medicinal da maconha: uma alternativa ao direito à saúde