As células são as unidades fundamentais da vida. Quer sejam formas de vida unicelulares ou multicelulares, todos os organismos vivos são compostos e dependem delas para funcionar normalmente. Os cientistas estimam que nossos corpos possuem cerca de 75 a 100 trilhões de células. Para você ter uma noção, só de neurônios são cerca de 89 bilhões! Além disso, existem dezenas de diferentes tipos de células no corpo, que fazem tudo, constituindo a estrutura física e atuando no fornecimento de energia e reprodução de um organismo. 

Os 10 fatos sobre as células abaixo podem ser bem conhecidos na comunidade de biólogos mas muitas vezes são pouco compreendidos por pessoas leigas. Além disso, esses fatos poderão ser muito úteis para alunos que estão estudando esse tema pela primeira vez ou até mesmo para professores de Biologia que desejam sintetizar o conteúdo ministrado em sala de aula. Espero que gostem!

1. As células são muito pequenas para serem vistas sem ampliação.

Elas variam em tamanho de 1 a 100 micrômetros. O estudo das células, também chamado de biologia celular, não teria sido possível sem a invenção do microscópio. Com os microscópios avançados de hoje, como o microscópio eletrônico de varredura e o microscópio eletrônico de transmissão, os biólogos celulares podem obter imagens detalhadas das menores estruturas celulares.

2. Existem dois tipos principais de células.

As células eucarióticas e procarióticas são os dois principais tipos. As eucarióticas são chamadas assim porque têm o material genético organizado em forma de núcleo, que é envolvido por uma membrana. Animais, plantas, fungos e protistas são exemplos de organismos eucariotos. Os organismos procarióticos não possuem núcleo, ou seja, o material genético está livre no citoplasma. Bactérias e arqueias são exemplos de seres procarióticos.

3. Os organismos procarióticos unicelulares foram as primeiras e mais primitivas formas de vida na Terra.

Alguns organismos procariontes podem viver em ambientes que seriam fatais para a maioria dos outros organismos. Esses organismos são conhecidos como extremófilos por serem capazes de viver e prosperar em vários ambientes extremos. As arqueias, por exemplo, vivem em ambientes com temperatura extremamente elevada (fontes termais) bem como em pântanos e demais áreas úmidas desprovidas de oxigênio.

4. Existem mais bactérias no corpo do que células humanas.

Até pouco tempo atrás, acreditava-se que cerca de 90-95% de todas as células do corpo era bactéria, sendo a grande maioria encontrada no trato digestivo e na pele. Essa informação teve origem em 1972, com um estudo do microbiologista Thomas Luckey, que estimou 10 bactérias para 1 célula humana.

Entretanto, esse fato foi melhor esclarecido apenas recentemente. Continua sendo verdade, mas as proporções são bem menores. O novo estudo estimou um valor aproximado de 30 trilhões de células humanas e de 39 trilhões de bactérias. Dessa forma, ao invés de 10:1, a proporção atual é de 1,3 bactéria para 1 célula humana. Mais precisamente, somos cerca de 56,5% bactéria.

5. As células contêm material genético.

Contêm DNA (ácido desoxirribonucleico) e RNA (ácido ribonucleico), a informação genética necessária para dirigir todas as atividades celulares. O DNA e o RNA são moléculas conhecidas como  ácidos nucleicos. Nas células procarióticas, a molécula de DNA bacteriana não é separada do resto da célula, mas enrolada em uma região do citoplasma chamada região nucleóide – ficando livre. Nas eucarióticas, as moléculas de DNA estão localizadas dentro do núcleo da célula, que é envolvido por uma membrana. O DNA e as proteínas são os principais componentes dos cromossomos.

As células humanas contêm 23 pares de cromossomos (perfazendo um total de 46 cromossomos). Desses, 22 pares são autossomos (cromossomos não sexuais) e um par é de cromossomos sexuais. Os cromossomos sexuais são X e Y e determinam o sexo. Quer entender melhor esse tema? Veja abaixo:

Leitura recomendada:
Reprodução Sexuada: Meiose e Reprodução

6. As células contêm estruturas denominadas organelas que desempenham funções específicas.

As organelas têm uma ampla gama de funções dentro de uma célula que inclui praticamente tudo, desde fornecer energia até produzir hormônios e enzimas.

As células eucarióticas contêm vários tipos de organelas, a maioria envolta por uma membrana celular. Já as procarióticas não contém organelas. Veja abaixo:

Célula eucarionte e suas organelas diversas. Perceba que o material genético se encontra organizado em um núcleo. Foto: Divulgação.

 

Célula procariótica. Note que não há organelas como ocorre nas células eucarióticas e o material genético se encontra livre no citoplasma. Foto: Divulgação.

Existem também diferenças entre os tipos de organelas encontradas em diferentes tipos de células eucarióticas. As vegetais, por exemplo, contêm estruturas como uma parede celular e cloroplastos que não são encontrados em animais. Outros exemplos de organelas incluem:

  • Núcleo – controla o crescimento celular e a reprodução.
  • Mitocôndrias – fornecem energia para a célula.
  • Retículo Endoplasmático Liso e Rugoso – sintetizam carboidratos, proteínas e lipídios (veja abaixo).
  • Complexo de Golgi – fabrica, armazena e envia determinados produtos celulares.
  • Ribossomos – envolvidos na síntese proteica.
  • Lisossomos – digerir macromoléculas celulares.
Retículo endoplasmático rugoso (granuloso) e liso (não-granuloso). São estruturas que se complementam, mas com funções distintas.

retículo endoplasmático rugoso (RER), também chamado de ergastoplasma ou retículo granuloso, é formado por sacos achatados, cujas membranas têm aspecto verrugoso devido à presença de grânulos – os ribossomos – aderidos à sua superfície externa (voltada para o citosol). Já o retículo endoplasmático liso (REL) ou retículo não-granuloso é formado por estruturas membranosas tubulares, sem ribossomos aderidos, e, portanto, de superfície lisa.

O retículo endoplasmático rugoso, graças à presença dos ribossomos, é responsável por boa parte da produção de proteínas da célula. As proteínas fabricadas nos ribossomos do RER penetram nas bolsas e se deslocam em direção ao aparelho de Golgi, passando pelos estreitos e tortuosos canais co retículo endoplasmático liso. Por outro lado, o retículo endoplasmático liso tem como função principal a produção de lipídios, como a lecitina e o colesterol, sendo responsável pela produção dos principais componentes das membranas celulares. Além disso, o REL também produz os hormônios esteroides, como o testosterona e o estrógeno e participa do processo de desintoxicação (atuação nas células hepáticas, por exemplo) e armazenamento de substância (vacúolos das células vegetais são derivados do REL, por exemplo).

Leitura recomendada:
Retículo endoplasmático – Só Biologia

7. As células se reproduzem de diferentes formas.

A maioria das células procarióticas se replica por um processo chamado fissão binária. Este é um tipo de processo de clonagem no qual duas células idênticas são derivadas de uma única célula. Os organismos eucarióticos também são capazes de reproduzir assexuadamente, através da mitose. Além disso, eucariontes também se reproduzem de forma sexuada. Isso envolve a fusão de células sexuais ou gametas (reprodução animal, por exemplo). Os gametas são produzidos por um processo chamado meiose.

Leitura recomendada:
Divisão Celular: Mitose e Meiose

8. Grupos de células semelhantes formam tecidos.

Os tecidos são grupos de células com estrutura e função compartilhadas. As que compõem os tecidos animais são, por vezes, tecidas juntamente com fibras extracelulares e ocasionalmente são mantidas unidas por uma substância pegajosa que as cobre. Diferentes tipos de tecidos também podem ser dispostos juntos para formar órgãos. Grupos de órgãos podem, por sua vez, formar sistemas. Por exemplo, o sistema digestório é composto por vários órgãos como boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus.

9. As células têm diferentes períodos de vida.

As células dentro do corpo humano têm diferentes períodos de vida com base no tipo e função que desempenham. Podem viver alguns dias ou vários meses. Certas células do trato digestivo vivem por apenas alguns dias, enquanto as do sistema imunológico podem viver até seis semanas e as do pâncreas podem viver até um ano!

10. As células se suicidam.

Quando uma célula se torna danificada ou sofre algum tipo de infecção, ela se autodestrói por um processo chamado apoptose. A apoptose trabalha para garantir um desenvolvimento adequado e para manter o processo natural do corpo de realizar mitose sob controle. A incapacidade de uma célula de sofrer apoptose pode resultar no desenvolvimento do câncer.

Fonte: Thought.Co.

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Guellity Marcel

Biólogo de vida selvagem, mestre em Ecologia e Conservação e apaixonado por ciência e tecnologia. Tem interesse em ecologia de populações, ecologia do movimento, ecologia de paisagem e efeitos de mudanças climáticas na biodiversidade, especialmente em áreas úmidas. Atualmente trabalha com mamíferos de médio e grande porte (cervo, veado-campeiro, veado-mateiro, queixada) e jacarés em parceria com pesquisadores da Embrapa Pantanal.