Os fungos são mais do que apenas os cogumelos

Os fungos são organismos eucarióticos, como plantas e animais. Ao contrário das plantas, eles não realizam fotossíntese e têm quitina nas paredes celulares. Como os animais, os fungos são heterotróficos, o que significa que eles obtêm seus nutrientes absorvendo-os de outros organismos.

Embora a maioria das pessoas pense que a diferença entre animais e fungos é que os fungos são imóveis, alguns fungos são móveis. A diferença real é que os fungos contêm uma molécula chamada beta glucano nas paredes celulares.

Embora todos os fungos compartilhem algumas características comuns, eles podem ser divididos em grupos. No entanto, cientistas que estudam fungos (micologistas) discordam da melhor estrutura taxonômica. O modo mais simples e leigo de dividi-los é em cogumelos, leveduras e mofo ou bolor. Entretanto, os cientistas reconhecem sete filos de fungos.

No passado, os fungos eram classificados de acordo com sua fisiologia, forma e cor. Os sistemas modernos dependem da genética molecular e das estratégias reprodutivas para agrupá-los.

Tenha em mente que os seguintes filos ainda estão em processo de classificação. Os micologistas ainda não concordam em muitas coisas.

Sub-reino Dikarya – Filos Ascomycota e Basidiomycota

Os fungos mais comuns são provavelmente os pertencentes ao sub-reino Dikarya, que inclui todos os cogumelos, a maioria dos agentes patogênicos, leveduras e mofos. O subreino Dikarya é dividido em dois filos, Ascomycota e Basidiomycota. Estes filos e os outros cinco que foram propostos são principalmente diferenciados com base em estruturas reprodutivas sexuais.

Filo Ascomycota

Penicillium notatum é um fungo pertencente ao filo Ascomycota. ANDREW MCCLENAGHAN/SCIENCE PHOTO LIBRARY / Getty Images.

O maior filo de fungos é o Ascomycota. Estes fungos são chamados de ascomicetos ou fungos-de-saco porque os seus esporos meióticos (ascosporos) são encontrados em um saco chamado asco. Este filo inclui leveduras unicelulares, líquens, mofos, trufas, numerosos fungos filamentosos e alguns cogumelos. Este filo contribui com fungos para fazer cerveja, pão, queijo e medicamentos.

Exemplos incluem Aspergillus e Penicillium.

Filo Basidiomycota

Os fungos basidiomicetos, pertencentes ao filo Basidiomycota, produzem basidiosporos em estruturas em forma de bastão chamada basídio. O filo inclui os cogumelos mais comuns, ferrugem e bolor. Muitos patógenos de grãos pertencem a este filo.

Exemplos: Cryptococcus neoformans é um parasita humano oportunista. Ustilago maydis é um patógeno do milho.

Os demais filos abaixo estão dentro do reino Fungi, sem um sub-reino específico como os dois citados acima.

Acredita-se que a quitridiomicose afeta cerca de 30% dos anfíbios em todo o mundo, contribuindo para o declínio global das populações. Quynn Tidwell / EyeEm / Getty Images.
Os fungos pertencentes ao filo Chytridiomycota são chamados de quitrídios. Eles são um dos poucos grupos de fungos com motilidade ativa, produzindo esporos que se movem usando um único flagelo.
 
Os quitrídios têm nutrientes que degradam a quitina e a queratina. Alguns são parasitas.
 
Exemplo: Batrachochytrium dendobatidis, que causa doenças infecciosas chamadas quitridiomicose em anfíbios. 
 

Filo Blastocladiomycota

O milho está sujeito a numerosas infecções por fungos. Physoderma maydis causa a doença-da-mancha-marrom. Edwin Remsberg / Getty Images.

Os membros do filo Blastocladiomycota são parentes próximos dos quitrídios. Na verdade, eles foram considerados pertencentes ao filo antes que dados moleculares os levassem a grupos distintos. Blastocladiomicetos são saprótrofos, ou seja, que se alimentam de material orgânico em decomposição, como pólen e quitina. Alguns são parasitas de outros eucariotos. Enquanto os quitrídios são capazes de realizar meiose zigótica, os blastocladiomicetos realizam meiose esporica. Os membros do filo exibem uma alternância de gerações.

Exemplos: Allomyces macrogynusBlastocladiella emersoniiPhysoderma maydis.

Filo Glomeromycota

Todos os fungos pertencentes ao filo Glomeromycota se reproduzem de forma assexuada. Esses organismos formam uma relação simbiótica com plantas onde as hifas do fungo interagem com as células da raiz da planta. As relações permitem que tanto a planta quanto o fungo recebam mais nutrientes do que fariam se vivessem isolados.

Exemplo: Um bom exemplo desse filo é o Rhizopus stolonifer.

Filo Microsporidia

O filo Microsporidia contém fungos que são parasitas unicelulares formadores de esporos. Esses parasitas infectam animais e protistas. Nos seres humanos, a infecção é chamada de microsporidiose. Os fungos se reproduzem na célula hospedeira e liberam novas células. Ao contrário da maioria das células eucarióticas, a microsporidia não possui mitocôndrias. A energia é produzida em estruturas chamadas mitosomas e esse tipo de fungo não é móvel.

Exemplo: Fibillanosema crangonysis.

Filo Neocallimastigomycota

Os Neocallimastigomycetos pertencem a um pequeno filo de fungos anaeróbicos. Esses organismos não possuem mitocôndrias. Em vez disso, suas células contêm hidrogenosomas. A forma de zoosporos móveis possuem um ou mais flagelos. Estes fungos são encontrados em ambientes ricos em celulose, como os sistemas digestivos de herbívoros ou em aterros sanitários. Eles também foram encontrados em seres humanos. Nos ruminantes, os fungos desempenham um papel essencial na digestão de fibras.

Exemplo: Neocallimastix frontalis.

Organismos que se assemelham a fungos

Existem organismos que parecem e funcionam como fungos, mas que ainda não são membros do reino. Os diferentes tipos de limo, por exemplo, não são considerados fungos porque nem sempre têm uma parede celular e porque ingerem nutrientes em vez de absorvê-los. Os hyphochytrideos são outros organismos que se parecem com fungos, mas já não são classificados como eles.

A diferença entre ingestão e absorção, caso tenha se perguntado sobre o limo, é que na ingestão o alimento é armazenado em alguma estrutura do organismo, passando por um processo de degradação em seu interior, tornando os nutrientes disponíveis para uso da célula. Já na absorção, o alimento é quebrado fora do organismo, por meio de exoenzimas, e os nutrientes absorvidos vão diretamente para as células.

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Fonte: Thought.co.

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Guellity Marcel
Biólogo de vida selvagem, mestre em Ecologia e Conservação e apaixonado por ciência e tecnologia. Tem interesse em ecologia de populações, ecologia do movimento, ecologia de paisagem e efeitos de mudanças climáticas na biodiversidade, especialmente em áreas úmidas. Atualmente trabalha com mamíferos de médio e grande porte (cervo, veado-campeiro, veado-mateiro, queixada) e jacarés em parceria com pesquisadores da Embrapa Pantanal.